A Rede Bandeirantes, o Pa$tor Evangélico, e o Dinheiro


No domingo passado a Rede Bandeirantes vendeu uma hora de sua programação para o pastor Silas Malafaia, da igreja evangélica Assembléia de Deus, bradar aos quatro ventos o ódio aos homossexuais. Claro que fiquei revoltada com as bravatas e descalabros deste ser evangélico sem noção, mas não vou discutir isso. Vou falar de outra coisa que me irritou. Vou falar da Band.

 

Sempre que a Band vende uma hora de sua programação para terceiros (habitualmente para a Igreja da Graça), eles veiculam, antes do programa iniciar, durante alguns segundos, um aviso comunicando que a Band não é responsável pela produção do programa, e que as opiniões expressas ali não necessariamente representam as opiniões da emissora. Mas será que esse aviso exime a emissora quanto à responsabilidade pelo contéudo que ali é exibido?

 

Eu acho que mídia imparcial é uma utopia, mas a Band tem se saído bem nisso de um modo geral. Porém nesse caso a impressão que eu tenho é que a Band valoriza mais o dinheiro de terceiros do que a idoneidade de seu jormalismo; que é hipócrita. A Band não faz discurso de ódio, mas se qualquer desvairado quiser uma hora na TV para conclamar o país a eliminar os negros, os muçulmanos e os gays… é só ter dinheiro suficiente para comprar uma hora na Band! Está tudo bem, certo? Porque afinal a Band não se responsabiliza pelo discurso deles. Só se responsabiliza pelo benvindo dinheiro do pastor, que, é importante lembrar, vem do bolso de milhares de fiéis que são na maioria pobres, e que ao dar dinheiro à igreja deixam de investir em outras coisas que poderiam de fato melhorar suas vidas. Portanto, ao aceitar o dinheiro do pastor, a Band incentiva o empobrecimento social (e moral) do Brasil.

 

Fazendo uma analogia, é como se um médico fosse pessoalmente anti-aborto, mas, sendo dinheiro das  pacientes muito melhor que os valores morais pessoais do médico, ele fizesse um procedimento abortivo nas mesmas.

 

Também, para realçar a hipocrisia e o amor ao dinheiro acima de tudo, é bom lembrar que a Rede Bandeirantes, na ocasião das propagandas eleitorais obrigatórias, sempre exibe um aviso antes das mesmas começarem, do qual consta algo como “A seguir, propaganda partidária gratuita. O programa a seguir é exibido em conseqüencia de uma lei de cunho autoritário dos tempos da ditadura militar. A Band não se responsabiliza pelo conteúdo.”

 

Mas caso a propaganda gratuita fosse paga, ela não seria tão ruim assim. Pelo menos de acordo com a Band.

 

 


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